Nuveo trata ‘informações ruins’ e quer faturar R$ 50 milhões em 2018

  • Thursday, Aug 1, 2019

RAPHAEL FERREIRA • SÃO PAULO - Utilizar inteligência artificial e big data para solucionar problemas específicos das empresas. Essa é a solução que a Nuveo oferece. A startup brasileira tem clientes de segmentos diversos, como bancos e empresas de telefonia, e cresce em ritmo acelerado. De um faturamento de R$ 100 mil em 2016, saltou para R$ 7,5 milhões no ano passado e pode chegar aos R$ 50 milhões no fim deste ano.

A ideia da companhia surgiu quase por acaso, no fim de 2015. O administrador Flávio Pereira fazia trabalho voluntário em ONGs de São Paulo e, em uma ação na instituição Lar das Crianças, ajudou a desenvolver o uso de tecnologia para automatizar a leitura de informações de notas fiscais.

“A ONG tinha cerca de 70 mil notas fiscais por mês para analisar manualmente e automatizamos esse processo”, diz Pereira. As notas eram doadas por consumidores e davam direito a créditos do programa Nota Fiscal Paulista. A solução do até então executivo permitiu ao Lar das Crianças economizar recursos, já que havia pessoas dedicadas só para essa função.

Poucos meses depois surgiu a Nuveo, com o objetivo de utilizar tecnologia para automatizar processos e resolver problemas de back office - ou seja, os departamentos de uma empresa que fazem serviços não diretamente relacionados ao cliente, como recursos humanos.

Crescimento

Ainda em 2016, o primeiro grande cliente foi a construtora e incorporadora Cyrela. A startup possibilitou a economia de R$ 1,5 milhão ao ano para a empresa. Isso por conta da automatização do sistema de pagamento de IPTU, tarefa que até então era realizada por funcionários. Os atrasos e multas decorrentes geravam uma perda de R$ 5 milhões ao ano para a Cyrela, que continua a realizar outros projetos com a Nuveo.

O diretor administrativo da construtora, Juliano Bello, explica que a parceria com a startup continua. “Estamos com um novo projeto de automação do pagamento de condomínio e estudando novas frentes como: automação do pagamento das notas de serviço e matérias, gestão das ações judiciais entre outras oportunidades.”

Com o case de sucesso com a Cyrela, a Nuveo chamou a atenção de outras companhias em 2017, como a Telefônica e o Bradesco. De acordo com o fundador da startup, seu diferencial é pegar ‘informações ruins’, que sem um tratamento apropriado não dizem muita coisa, e dar valor a elas. “A base da nossa tecnologia está pronta, mas personalizamos a solução de acordo com o problema do cliente”, diz.

Novas demandas surgiram para a aplicação desse tipo de tecnologia, em processos como a aprovação de crédito nos bancos. “Por meio da inteligência artificial, a gente agilizou esse processo e o cliente sabe se o crédito foi aprovado em 10 segundos”, explica Pereira.

A empresa faturou R$ 7,5 milhões em 2017 e pode alcançar os R$ 50 milhões neste ano. “A meta era R$ 25 milhões, mas vimos que o ano está sendo bem melhor do que a gente achava”, afirma o fundador. A entrada em outros países e a ampliação de contratos com os atuais clientes são os maiores fatores para o crescimento, diz.

A startup não cobra mensalidade dos clientes. Ela é remunerada de acordo com o volume de processos realizados. No caso dos documentos mais simples, o valor unitário é de R$ 0,10. Nos mais complexos, o preço de cada operação vai até R$ 14.

Internacionalização

A ideia de internacionalizar a Nuveo surgiu ainda em 2016, em um contato com o consulado do Canadá. Pereira considerou que o negócio ainda estava no início e preferiu não se aventurar em outro país naquele momento. Mas manteve contato com o cônsul e, no segundo semestre de 2017, com o auxílio de um parceiro do governo local, lançou um braço da empresa em Toronto.

A Nuveo rapidamente passou a atender os dois maiores bancos do país. As demandas, porém, eram diferentes. “O back office deles já era bom, mas eles perdiam tempo com outras coisas”, explica o empreendedor.

Segundo Pereira, a automatização da verificação e análise de documentos é a solução mais usada para os clientes canadenses, já que eles perdiam muito tempo com isso. “Criamos inteligência artificial para agilizar a transferência de dinheiro entre contas para outros países até a verificação de documentos pessoais para abertura de contas bancárias”, conta.

Para o segundo semestre de 2018, a Nuveo já planeja a abertura de um novo escritório, na Suiça. Assim como no Canadá, a startup terá um parceiro do governo local para facilitar o início da operação no país. O objetivo da nova filial é atender o mercado europeu.

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